A PROSTITUTA DO AMOR



Não há beleza no que vejo,
nada brota, tudo recua.
A nenhum destino se cruza,
no instante que flui já se dispersa.
Nem fragmento de verdade vive ali.
Dessa mente nasce o bruto,
tão denso quanto se agrega.
E o que em mim fica envolto, é teu.
É teu, é dele, de outro...

Não vem, não vai, se deita.
Descansa no meu ombro, teu silêncio,
faz disso tua pausa, necessária.
Me vem, me vai, não larga a minha mão,
ampara a minha queda,
me usa pela metade.
O que restar é teu, é dele, é outro...

O que restou?
O que restou...

Restou eu, apenas eu.
Nem vento, nem tempo.
Nem o eco do vazio ficou
Se quer eu, se quer eu...

Minto, restou teu silêncio, ficou muito.

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