UM CAFÉ BEM AMARGO, POR FAVOR.
           
Teve tantos amores, foram tantas devoções e a todos amou igualmente. Cada um era sempre o maior dos sentimentos, o mais verdadeiro e profundo como nunca fora por outro. E acontece que sentia mesmo assim, desafiava a felicidade e se entregava plenamente às travessuras do destino. Arriscava viver romances mais rebuscados que os de Shakespeare e Rodrigues, sem querer diminuir a obra de nenhum artista, mas o fato é que ali era vida real e ela não se entregava a uma nova história que não fosse, no mínimo, avassaladora nas emoções, tanto que todos acabavam quando tudo ficava feliz demais, quando ela finalmente estava feliz para sempre.
A rotina a deixava cansada... Parecia que o amor apagava de repente do peito e pronto, arrumava a bolsa e deixava tudo para trás. Do passado, nada interessava. Mas acontece que, no seu íntimo, ia para uma nova vida, na esperança de finalmente não conseguir amar outro mais do o que o último, queria ser refém do amor para finalmente voltar e se entregar às mesmices dos dias eternos.           
Não estou aqui para julgar ou esmiuçar as aventuras de Teresina Cristina, eu a compreendo. Hoje sim, aprendi com o tempo... Esta era a grande ilusão que a movia em segredo, pelo menos foi o que dissera em seu leito de morte aos amantes beatos que desejavam morrer junto. Ela queria ter certeza de que o último fora o maior amor, e um outro não despertaria mais forte. Mas sempre conseguia ir mais além. Não tinha limites nas sensações e nunca voltara para nenhum homem. E também não voltou para nenhuma das mulheres às quais jurou amor. Sim, ela se permitia serenar a felicidade, seu coração era quem escolhia, não o seu corpo. Dizia que o amor não tinha gênero, só delírios e gozos verdadeiros de prazer. Morrerá jovem demais, por ser uma dama tão singular e virtuosa.           
Era um fim de tarde de outubro e Teresina tocou a campainha de minha casa.          
 - Cristina? O que faz aqui? – se assustou com meu espanto e não conseguiu falar - Gostaria de entrar ou está de passagem?           
- Mais ou menos... Sim, vou entrar.           
-Entre! Não repare na bagunça, estou esperando o fim de semana para arrumar estas tintas.           
- Tintas! Quando lhe conheci você não falava de arte, está pintando agora... Interessante.           
Acontece que eu não era mais aquele jovem perdido que caíra em seus braços, o tempo me fizera muito bem e melhor, por ela perceber isso. Estava melhor sem ela.           
- Estou mesmo, mas fiquei curioso com sua visita, já faz tanto tempo que cruzou essa porta e não voltou nem para dar bom dia... O que a traz aqui? Esqueceu o casaco por acaso?           
- Um colar azul de veludo, Miguel. Quero saber se você ainda o tem.          
 - Um colar de veludo...? Mesmo? Liguei tantas vezes para saber o que aconteceu, para que viesse pegar suas coisas... Deixei recados, falei até com seu irmão. Mas você não veio.           
- Eu sei, eu sei... Você o guardou?           
- Não! Doei tudo para a Santa Casa.           
- Nãaao! Era uma joia tão nobre... Dizia que quando eu usava essa peça ficava a mulher mais linda que viu. Devia ter guardado!           
- Cristina, não acredito que depois de sete anos veio questionar meu apego a suas coisas. Eu doei, claro! Esperei um tempo. Tempo até demais por sinal, então percebi que não ia voltar mesmo. Precisava seguir e me livrar da sua presença nesta casa.           
Cedo ou tarde todos os que conseguiram seguir a vida em paz precisaram fazer isso. Teresina foi para todos a maior vivência do amor. Poucos a esqueceram ou tiveram outra como ela. Uma vez, entrei em um bar e lá estavam três boêmios derrotados pela espera brindando ao nome de Teresina.            
Quando a conheci tinha acabado de chegar em Fortaleza, vim para uma temporada de trabalho e na primeira noite a conheci. E naquela mesma noite eu já a amava. Era uma mulher incrivelmente linda, e estava deslumbrante naquela noite usando o tal colar em questão. Tão madura e segura de si, não resisti. Mal tinha meus dezoito anos e acredito que aquilo deve ter alimentado seu ego maduro e viril.           
- Comecei a fazer terapia e minha terapeuta insistiu que eu precisava escolher o objeto mais significativo que deixei pelos meus amores. Voltar e pegá-lo. Ela me convenceu que precisava passar por isso. Como esse colar era da minha mãe, então...           
- Sinto muito, não sabia que foi da sua mãe. Ou teria devolvido quando fui à casa do seu irmão atrás de noticias. Talvez se ligar para a Santa Casa...             
- Não era tão importante assim, tudo bem. Minha mãe sempre foi tão ausente que não me lembro de vê-la usando. Era parte da terapia apenas. Não sei mesmo porque estou fazendo isso... Acho que é a crise dos 60. Bem... – rindo e indo em direção a porta.           
- Não Cristina, não vá agora, demore mais um pouco. Já estava indo preparar um café, e com damasco como você gosta. Tenho até um daqueles biscoitos indianos de coco que acompanhava suas xícaras durante bons filmes...          
Não vou ficar me justificando aqui, leitores. Nunca quis que fosse embora da minha história, gostava da sua presença.  Era tão agradável... No mais, tudo que fizera a mim, fizera aos outros, não fui menos especial por ela não ter levado na bolsa a chave de casa.            
- Terapia? – não conseguia parar, tinha medo que desse tempo dela dizer não. Menos de um minuto tinha aberto o café, colocado o bule no fogão, aberto a lata de damasco e já procurava aqueles malditos biscoitos que corriam o risco de estarem vencidos. Ela sentou novamente, pronto, aquilo fora um sim. Aliviei.           
- Conheci minha terapeuta em um cruzeiro que fiz para os Lençóis Maranhenses, pensei que teríamos um bom romance, mas ela me amarrou em um divã e tentou me convencer que eu não me conhecia. Já estou a dois meses com essas sessões...           
- E se conhecia? – deixei-a encabulada – Quero dizer, ainda apaixonada?           
- Não, seria impossível me apaixonar por alguém que tenta me desvendar todo dia, cada vez que nos encontramos, me enche de novas dúvidas. Seria feliz assim?         
  Claro que seria, mas não queria lhe cortar o riso outra vez. Reluzia quando sorria à vontade. Tê-la ali me encheu de lembranças. Pude vê-la nua, outra vez, com seus cabelos envoltos cruzando delicadamente as pernas, deitada sobre o sofá. Tenho perfeita essa imagem, está gravada em minha cabeça. Quantas vezes, desde que se foi, dormi aflito arriscando sonhar com essa minha repetida memória, com minha doce agonia chamada Teresina Cristina... Naquele dia tinha acabado de levantar quando abri a porta do quarto e ela estava naqueles trajes me esperando, com a mesa do café posta e esse mesmo sorriso jovem que me encantava agora. Segurava um bilhete e uma orquídea. Beijou-me e entregou o bilhete, eu li. Beijou-me novamente e, de forma terna e profunda, deixou três lágrimas riscar o rosto e engoliu seco antes de oferecer a rosa. Falou "bom dia, meu amor, fiz seu café".          
  Aquele dia do bilhete de nossa vida.           
- E você, como está?            
- Como? – minha respiração parecia sincronizar com as batidas do meu peito – Como? Perdi o fio, desculpe.           
- O que tem feito na vida? Quer que abra a janela? Está tão suado e vermelho, deixe que eu termino o café...           
- Não! O café não!           
- Como?           
- Digo... O café já está pronto. Eu mesmo fiz!           
- Está bem. Quero experimentar seu café com damasco. Faz tantos anos que não tomo um, que esqueci o gosto.           
- Nossa, tomava todos os dias, pensei que fosse seu favorito.           
- E foi, comecei a gostar no dia seguinte que lhe conheci. Fui ao supermercado e vi os damascos secos no balcão do caixa, alguém desistiu de levar e eu os levei! Imaginei na hora que ficariam uma delicia com o café. Passei a comprá-los sempre, por dois anos talvez, depois amargou...  Mas tinham um gosto muito provocante juntos! – sorriu com orgulho.           
- Nunca me disse isso, pensava que... Enfim. Ainda vai querer tomar?           
- Claro! Estou esperando pelo café. Deixa-me degustá-lo... Hum... Muito gostoso, ficou um profissional, Miguel!           
Fiquei ferido! Não sei como ainda continuava segurando minha xícara, tive vontade de estraçalhá-la na parede. Como estava esperando pelo café’?! Nunca mais tomou café com damasco... Aquilo foi a gota d’água! ‘Hum... Está profissional’. Só podia estar debochando da minha tragédia. Ia me enlouquecer de novo, senti isso. Se continuasse com ela mais um minuto na nossa casa iria pirar. Quero dizer... Minha casa, aquela era a m-i-n-h-a casa!             
“Não vá embora, preciso de você para viver”.Ah, Teresina. Ah, Teresina. Aquele seu pedido mudou nossa relação... Quando terminei de ler seu bilhete naquela manhã, me vi ingênuo e transferi meu trabalho para Fortaleza. Deixei família e amigos para salvá-la de uma dor. Duas semanas depois ela amanheceu e não voltou para dormir na nossa cama. E a cama eu joguei fora! Joguei fora! A cama eu realmente joguei no lixo!           
- Quebrei a cama e joguei fora!           
- Do que está falando, Miguel? - pude ver em seu rosto que estava fora de mim.           
- Cristina!           
- Oi?           
- Acho que você precisa ir embora.           
- Tudo bem! Melhor mesmo...           
- Sim, claro que é! – quanto mais a expressão dela modificava com minhas palavras, mas via um espelho gritando meu descontrole e loucura.           
- Sim, sim - foi tão depressa à porta que esqueceu a bolsa.           
- A bolsa! Leve sua bolsa. Não é a mesma que você guardava sua identidade naquele dia, mas foi a única coisa que não deixou. Então leve. Leve. Leve!           
- Nunca lhe vi assim. Está descontrolado!           
- Leve os damascos também! – apanhei rápido uma sacola de compras e comecei a colocar todas as conservas que havia na dispensa. Devo ter juntado uns 20 ou 30 potes de damasco. Botei em sua mão e a apressei a atravessar a passagem final. Ainda tive até o cuidado de esperá-la dar uns passos para trás e bati a porta em sua cara! Com toda a dor desses sete anos passados e coados por mim. Foi um eco tão estrondoso que fez ensurdecedor o silencio seguinte.            
- Não conhecia – falou baixinho do outro lado – E ainda não me conheço.           

Seus passos seguiram lentos e demorados pelo corredor do meu andar. Corri para o quarto e abri a gaveta da cômoda. Segurei a tal caixa de pandora. Finalmente estava pronto para me libertar daquela lembrança. Abri. Era mesmo um colar lindo! Corri para sala e abri a porta de casa. Ouvi seu passo parando. Respirei fundo, liguei novamente o bule do café e coloquei a joia dentro, queria que ela sentisse o forte cheiro amargo do meu café requentado suas com lembranças.

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 (Jânio César. Desenho de Yuri Yamamoto.) 

Jânio César é um brasileiro amante das artes. Nasceu no dia 28 de fevereiro em Porto Alegre e cresceu e criou-se na capital do Ceará, estado que retem suas raízes familiares e culturais. Estudante do curso de Licenciatura em Teatro do IFCE, trabalha desenvolvendo atividades ligadas ao mundo das artes cênicas, mas define-se profissionalmente, em primeira instância, como poeta das virtudes e dos lamentos da vida. Em 2012 ganhou o Prêmio Literário Juvenal Galeno vinculado a Secretaria de Educação de Fortaleza, em razão do seu livro Três Pontos, conforme Diário Oficial do Município de Fortaleza, 23 de novembro de 2012 pág 25. Conheça um pouco de sua produção escrita dividida nas categorias: Poemas, Pequenos Contos, Contos e Pensamento.




ÍNDICE:


PRIMEIRO OLHAR
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SEGUNDO OLHAR
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I ATO

E quando eu falo do amor, do tempo, do vento, percebo! É necessário reinventar a vida.


ONDE ESTÁ LARRY TATE?    (Prosa Poética)
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IGUATEMI    (Poema)
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A TV, O COLCHÃO, O SOFÁ E TRÊS DOUTOR    (Poema)
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RISCO DO VENTRE    (Poema)
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TRÊS PONTOS    (Poema)
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O CONVITE    (Poema)
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ELA É DO CARIRÍ    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
CÉU, TETO DE BURLE MARX    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
DO VERSO A PROSA    (Poema)
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PRIMEIRO PONTO    (Olhar Poético) 
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I ATO - CONCLUSÃO:
Sim, eu ainda acredito no amor incondicional, sei que existe, mas não é de hoje que está perdido, não foi agora que ficou extinto. Foi esquecido e vulgarmente trocado pelos interesses, substituído por uma duvidosa ideia de sentimento.


II ATO
Outro dia, enquanto sonhava, fiz algo que queria muito. E de tão real o sonho, vi o tamanho da minha loucura.

TERÇA JOSÉ-MARIA FEIRA    (Prosa Poética)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
ORGULHOSA    (Poema)
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O LEÃO E A FLORESTA    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
SAMBA PARA O NÃO AMOR    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
DEIXA ELA PASSAR...    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
SÓ UM PEDAÇO DE VOCÊ    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
A CAMISA E O CABIDE    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
TELA E FOLHA EM BRANCO, ADUBO DE MIM    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
REFLUXO    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
SEGUNDO PONTO    (Olhar Poético)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 

II ATO - CONCLUSÃO
Hoje a noite vou colocar minhas velhas asas nas costas para viajar pelos sonhos inventados. Vou fazer uma parada no teu abraço, seguir pelo teu carinho, beber da fonte que nos achamos, juntar os pedaços que você me deu e pendurar nas estrelas. Ver tudo que fantasiei na minha cabeça e que só nela ficou. Revirar todo o sonho e beber do teu veneno depois.


III ATO
Quero usar esta última inspiração antes que o desejo se vá e meus pensamentos fiquem mudos e frios, sem saber o doce sabor das palavras.

O ÚLTIMO DUQUE DE CAXIAS    (Prosa Poética)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
SE FERROU!    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
A PROSTITUTA DO AMOR    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER
OITO DE PAUS    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
O CAVERNOSO    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
10 CENTAVOS PAGA    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
ADÃO    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER
CORRENTES    (Poema)
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MARIA DAS DORES    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
TERCEIRO PONTO    (Olhar Poético)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 


III ATO - CONCLUSÃO
Houve um tempo em que as pessoas se respondiam, mesmo quando não se correspondiam. O mais estranho diálogo é sem dúvida o mudo e frio. O silêncio só fala por aquele que não arrisca suas palavras para não ter que justificá-las.

TERCEIRO OLHAR
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 


CONTOS
APENAS BOAS HISTÓRIAS FAZEM PRAÇA    (Conto)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
SUCESSO É OUTRA COISA    (Conto)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
VITÓRIA CORTEZ    (Conto)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
UM CAFÉ BEM AMARGO, POR FAVOR.    (Conto)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
MIL SÓIS    (Conto)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
ELA DISSE AMÉM    (Conto)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER