O CAVERNOSO



Feito melodia de valsa perdida,
no passo de um trago pro treco do meu coração,
fez um alvoroço no banco da noite,
na borda da praça,
e contou sua desgraça pro meu coração.

O menino no ventre tinha um apelido,
que mais parecia castigo na frente do espelho,
em uma caverna dormia nas trevas
morrendo de medo de não acordar,
mas por ser valente se fazia de crente,
rezava de dia e dormia de noite
enrolado nas ondas quebradas do mar.
Respondia por Cavernoso,
mas na verdade era apenas um moço

que ainda sabia no gozo o prazer de sonhar.

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